A aparente violência de nossos dias

                           A cada instante ficamos sabendo que um novo tiro foi dado.

                         A cada momento um novo rio de sangue brota das selvas de pedra onde nos debatemos na busca do vil metal, nos deixando perturbados para descobrir até onde iremos com esse mal.

                         As manchetes se transformaram em veículos de divulgação da violência, trazendo nas entrelinhas que a música de nosso tempo baseia-se no “salve-se quem puder”.

                         E a paz, o que houve com ela? Foi sepultada em alguma curva da estrada ou foi atropelada por algum tanque de guerra, AR-15 ou fuzil?

                         A paz está em nossos corações, está nos homens e mulheres de boa vontade, está no sentimento comum de fraternidade que é imanente à solidariedade de todos os seres vivos.

                         A paz está apenas esquecida, desprezada, bloqueada, eis que pela moeda do mundo financeiro em que vivemos, paradoxalmente, ela tem baixa cotação.

                         Mas ela existe, ela acontece, ela permanece, mesmo que para os distraídos afigure-se o contrário.

                         É que a paz é tranqüila, modesta, não se trombeteia, não se impõe e a maior parte da humanidade apesar de almejá-la não lhe dá o devido crédito quando acontece, preferindo banquetear-se com o esquartejar dos noticiários até como alternativa mais cômoda que não levará a se preocupar em melhorar, deixando para trás sua natureza banhada ainda pelos instintos das eras em que andava com quatro patas.

                         E a paz um dia sepultará todos os tiros, deletando todas as formas de violência, substituindo os rios de sangue, pela seiva da fraternidade, eis que todos descobrirão fatalmente que têm o direito de serem felizes um dia.

Voltar a Pirilampos